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| Presidente
do TSE diz que país passa por fosso moral
Brasília, 04/05/2006 - Ao assumir hoje a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Marco Aurélio afirmou que o país vive, atualmente, mais que uma crise moral, mas "um fosso moral e ético". De acordo com ele, a população vivencia um misto de revolta, desprezo e repugnância em meio a "tão deslavadas mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos". O país, segundo o presidente do TSE, tornou-se um país do faz-de-conta. "Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis". De outro lado, salientou o ministro Marco Aurélio, existe no país a solidez das instituições nacionais. "O Brasil, de forma definitiva e consistente, decidiu pelo Estado Democrático de Direito", disse. "De maneira adulta, confrontamo-nos com uma crise ética sem precedentes e dela haveremos de sair melhores e mais fortes". O Judiciário, afirmou o ministro, "não pode se furtar de assumir a parcela de responsabilidade nessa avalancha de delitos que sacode o país". Segundo o presidente do TSE, a pecha de lentidão recai sobre o Judiciário injustamente, "já que não lhe cabe outro procedimento senão fazer cumprir a lei, essa mesma lei que por vezes o engessa e desmoraliza". No entanto, acentuou, "se aqueles que deveriam buscar o aperfeiçoamento dos mecanismos preferem ocultar-se por trás de negociatas, que o façam sem a falsa proteção do mandato. A República não suporta mais tanto desvio de conduta". O ministro Marco Aurélio falou do poder do voto. Disse que a importância do voto deve "servir de argumento àqueles que pregam, como vindita por tanta infâmia, a anulação do escrutínio". Ao contrário, salientou, "é de se conclamar o povo, principalmente os mais jovens, a se manifestar pela cura, não pela doença, não pela podridão do vale-tudo que corrói, com acidez do cinismo, a perspectiva de um futuro embasado em valores como retidão, dignidade, grandeza de caráter, amor à causa pública, firmeza de propósitos no empenho incondicional ao progresso efetivo, e não meramente marqueteiro, do país". Ao final, o ministro disse que, no que depender dele, "não haverá condescendência de qualquer ordem" na condução das eleições gerais de outubro. "A lei será aplicada com a maior austeridade possível", afirmou. "Esqueçam, por exemplo, a aprovação das contas com as famosas ressalvas. Passem ao largo das chicanas, dos jeitinhos, dos ardis possibilitados pelas entrelinhas dos diplomas legais", salientou. Fonte: TSE |